Saquarema eterniza sua história com ‘Mostra Arte Pública Cerâmica’

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Saquarema eterniza sua história com ‘Mostra Arte Pública Cerâmica’

Para preservar a memória de Saquarema, valorizar seu patrimônio e suas comunidades tradicionais, o município conhecido pelos campeonatos de surf e festivais de rock, ganha do projeto Pedagogia do Barro a mostra permanente, com painel do selo Arte Pública Cerâmica – Edição Saquarema, com abertura no dia 7 de maio, quinta-feira, às 16 horas, na Casa da Pedra. Na véspera dos seus 185 anos, Saquarema será eternizada em painel com 2m², as 67 imagens em fotocerâmica chegam em circuito aberto ao público, com acessibilidade por QRCode, com audiodescrição, tradução do texto curatorial em Libras e versão em inglês do conteúdo curatorial.

Idealizado pela artista visual e ceramista, Julia Botafogo, com curadoria de Joanna da Hora, a partir da pesquisa histórica de Tainá Miê, o projeto Pedagogia do Barro destaca um dos eixos centrais da realização, quando uma chamada pública reuniu mais de 400 fotografias – cerca de metade enviadas por moradores, revelando narrativas sobre pesca, modos de vida, relações familiares, transformações da paisagem e memórias afetivas do território.

Fotografias do arquivo pessoal das comunidades e, também, com a colaboração de instituições locais, responsáveis por cerca de 200 fotografias provenientes de diferentes acervos, como: o Museu do Sambaqui; o Templo do Rock; o Museu de Conhecimentos Gerais; e, o acervo do Centro de Memória de Saquarema, de onde vieram mais de 170 imagens e que foi fundamental como ponto de partida para a pesquisa e para a definição dos recortes curatoriais da ação.

“Os painéis de fotocerâmica estimulam o conhecimento e reconhecimento da história do lugar e sua ancestralidade. Valorizam e divulgam o patrimônio cultural e suas memórias – fundamentais na manutenção e conservação do lugar”, reflete Julia Botafogo.

A seleção das imagens aconteceu a partir de uma reunião curatorial aberta, que promoveu escuta ativa e troca entre participantes. O encontro reuniu relatos, histórias e memórias compartilhadas coletivamente, em um ambiente marcado por forte envolvimento emocional e construção narrativa. Um episódio simbólico desse processo ocorreu quando o historiador Caio Silva levou à reunião uma fotografia da Miss Saquarema de 1968, que, por acaso, é a mãe da artista visual e idealizadora do projeto, Julia Botafogo. Esse fato evidencia como as camadas de memória pessoal e coletiva se entrelaçam na oportunidade do resgate da história.

A curadoria foi conduzida por Joanna da Hora, em diálogo com a pesquisa histórica de Tainá Miê, organizando o conjunto de imagens a partir da diversidade de acervos — institucionais e pessoais –, reunindo imagens que refletem a diversidade cultural, histórica e afetiva do território. A obra nasce de um processo coletivo que envolveu pesquisa histórica, mobilização territorial, articulação institucional e participação direta da comunidade local.

“No processo de curadoria se confirmaram temáticas muito importantes para o território, como a presença dos sambaquis e centralidade da pesca tradicional e do surf, mas surgiram também eixos temáticos que não imaginávamos em um primeiro momento, como a história da educação em Saquarema”, conta a curadora Joanna da Hora

“A arte participa do ciclo da memória: aquilo que o tempo leva, ele também transforma em vestígio, permitindo que novas histórias sejam contadas a partir do que permanece.”, afirma a historiadora Tainá Mie, que assina a pesquisa histórica territorial.

Produzidas manualmente, uma a uma, utilizando argila, óxido de ferro, vidrado e queimadas a 1000ºC, garantindo durabilidade e permanência no espaço público (quando até a lava de um vulcão não pode derreter, já que a temperatura expelida pelo vulcão é de 900º). Cada peça é única e resulta de um processo artesanal que articula técnica, tempo, observação e escuta.

“Com o barro, aprendi algumas lições: não existe erro, tudo é resposta do tempo; e que a matéria é viva, não adianta forçar, é preciso senti-la. Talvez, por isso, a cerâmica seja tão adequada para trabalhar memória e ancestralidade”, ressalta a artista.

Continuidade e expansão é o legado que o projeto Pedagogia do Barro deixa para o território, que além da instalação física do painel na Casa da Pedra, o projeto contará com uma exposição virtual no perfil @artepublicaceramica, que apresenta o processo, os bastidores e as narrativas construídas ao longo do processo, ampliando sua dimensão como jornada artística e pedagógica.

Também, com a busca pela continuidade, um ateliê-móvel foi criado e concebido como estrutura para circulação, permitindo a continuidade do selo Arte Pública Cerâmica em outros territórios. 

“Com a Pedagogia do Barro reafirmamos a arte pública como ferramenta de educação patrimonial, salvaguarda da memória e fortalecimento cultural, ao cruzarmos acervos institucionais e pessoais, relatos orais, pesquisa histórica e prática artística. Transformar acervos dispersos em presença material e acessível no espaço urbano é inscrever no espaço público, narrativas que atravessam o tempo e projetam futuros possíveis. A cerâmica é resistente ao clima – sol e chuva –, e o tempo cronológico atravessará muitas gerações.  E assim, perguntamos: o que se quer eternizar e o que desejamos compartilhar com as futuras gerações!!?”, ressalta Julia Botafogo.

O Pedagogia do Barro que inaugura painel do selo Arte Pública Cerâmica – Edição Saquarema, é realização SECEC-RJ e do Ministério da Cultura a partir da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) 

SERVIÇO:

Pedagogia do Barro inaugura painel com Mostra Arte Pública Cerâmica – Edição Saquarema

Abertura: 7 de maio de 2026 | 5ªf | Mostra Permanente

Local: Casa da Pedra

Visita Guiada (educação patrimonial): 8h

Horário abertura no Pôr do Sol: 16 horas

Endereço: Rua Dr.Luiz Januário, Centro (Vila) de Saquarema – RJ

Aberta ao público

Acessibilidade: Circuito com audiodescrição e libras por QRCode

Idealização, coordenação e realização: Cerâmica Julia Botafogo

Exposição virtual – Instagram@artepublicaceramica

SOBRE JULIA BOTAFOGO:

Julia Botafogo é artista visual, fotógrafa e ceramista, com atuação entre arte pública, memória e território. Idealizadora do selo Arte Pública Cerâmica, desenvolve obras em fotocerâmica instaladas no espaço urbano, em diálogo com comunidades e suas narrativas autorreferenciais, em diversos municípios do país. Sua prática articula arte, educação de impacto e direitos humanos, adotando metodologias participativas nas quais o processo — baseado na escuta ativa, afeto e troca — é parte central da obra. Seus trabalhos investigam o fazer artístico como prática sensível de construção de memória e pertencimento.

SOBRE A FOTOCERÂMICA:

O projeto enxerga a fotografia como ferramentas de comunicação subjetiva, e busca trabalhar a arte como chave conceitual para transformação, estimulando a expressão da necessidade da observação, conhecimento e reconhecimento. A respeito da fotocerâmica podemos dizer que se trata de uma possibilidade de expressão que foge da homogeneidade visual repetida à exaustão. No fazer cerâmico, não temos o controle total: “Engana-se quem acha que o diálogo está somente no processo de modelar, ele estende-se na secagem, na queima, no revestimento, enfim, em todo o processo. O processo traz o inesperado, a surpresa, o que foge de nosso pseudo controle ajudam a construir uma linguagem própria e autêntica.” (Rodrigo Núñez – Laboratório de Cerâmica Artística à Distância).

TERRITÓRIO E DIREITO À MEMÓRIA:

A edição de Saquarema reforça o compromisso com a salvaguarda do patrimônio imaterial e cultural, a valorização dos conhecimentos tradicionais e o direito à memória. Com equipe formada por ceramistas, pesquisadoras, cineastas, educadores e especialistas em acessibilidade, o selo Arte Pública Cerâmica vem promovendo memória em territórios, como: Niterói, Praia de Itaipu, Vila dos Pescadores; Petrópolis, Nogueira, 1ª Estação Ferroviária; Silva jardim, Aldeia Velha. Em 2025 o selo Arte Pública Cerâmica – Edição Itaipu, foi finalista do Prêmio Rodrigo Melo Franco, concedido pelo Iphan.

Fotos originais / Fotocerâmicas:

Imagem 4

Lina Kneip e Filomena Crancio na escavação no Sambaqui da Beirada, entre 1993 e 1997. Acervo Museu do Sambaqui 

Imagem 5

Pesca do tubarão anequin, feita pelo pescador Ito, em 17 de outubro de 1974 

Imagem 6

Vista da Praia da Vila, década de 1940 (anterior à construção da Casa da Pedra). Acervo Maria José Silva Santos 

Imagem 7

Atual Rua Barão de Saquarema, seu casario colonial e comércios da época. Década de 1940/1950. Acervo Centro de Memória 

Ponte provisória construída pelo Exército, anos 1990. Foto feita por Paulo Lulo, durante a Festa de N. S. de Nazareth. Acervo Centro de Memória

Imagem 9

Primeira turma do Ginásio do Curso Normal Professor Francisco Vignoli, do colégio Cenecista, década de 1960. Acervo Centro de Memória

Imagem 10

Romeiras descendo a igreja na festa de Nossa Senhora de Nazareth. 8 de setembro de 1967 

Artesão Chiquinho Penetra. Acervo Centro de Memória 

Imagem 12

Otavio Pacheco, um dos pioneiros do surf de Saquarema. Itaúna, 1971.  Foto: Mucio Scorzelli. Acervo Otavio Pacheco

Imagem 13

Serguei no evento “Rock sobre Ondas”, final da década de 1980, praia de Itaúna. Acervo Museu Templo do Rock

Imagem 14

Inauguração da Rua Antônio Malheiros em Porto da Roça, anos 1990: Família Malheiros, Família Ramos e Família Israel. Acervo jornalista Osvaldo Barcellos

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