Derrubada dos quiosques na Praia das Conchas é confirmada em audiência que salvou a Cabana do Pescador

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Derrubada dos quiosques na Praia das Conchas é confirmada em audiência que salvou a Cabana do Pescador

A derrubada dos últimos quatro quiosques da Praia das Conchas foi confirmada durante a audiência que garantiu a preservação da Cabana do Pescador, símbolo da Costa do Sol e patrimônio imaterial da Região dos Lagos. O encontro ocorreu na 1ª Vara Federal de São Pedro da Aldeia.

Na mesma sessão, foi informado pelo Ministério Público Federal (MPF) que transitou em julgado o processo que determina a demolição das estruturas remanescentes na Praia das Conchas. Com o encerramento da disputa judicial, a Prefeitura de Cabo Frio deverá ser formalmente citada para cumprir a decisão.

Cabana do Pescador

Enquanto os quiosques terão de ser removidos, a Cabana do Pescador, construída no início da década de 1940 entre as praias do Peró e das Conchas, está oficialmente livre do risco de demolição. O espaço será revitalizado e transformado em Centro Cultural e Turístico voltado às atividades ligadas ao mar.

Cenário de produções cinematográficas e conhecida nacionalmente por ter sido a “Casa do Tufão” na novela Avenida Brasil, da TV Globo, a cabana quase foi demolida sob a alegação de que teria sido construída sobre um costão rochoso.

Ficou acordado que os três herdeiros de Jamil dos Anjos, último ocupante do imóvel, serão indenizados em R$ 450 mil e receberão licença para explorar três quiosques, sendo um deles no Jardim Esperança. A origem dos recursos — se do Fundo Municipal de Turismo ou de verba própria do município — ainda será definida.

Representantes da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) manifestaram concordância em repassar o domínio da área ao município.

“Com a presença de todos os envolvidos, houve consenso de que a pauta é benéfica para o município” , afirmou o secretário de Turismo de Cabo Frio, Davi Barcellos.

Com o aval do MPF, da sociedade civil e da família de Jamil dos Anjos, foi aprovado o projeto da Prefeitura que prevê a utilização do espaço para manifestações culturais e turísticas, sem agressão ao meio ambiente.

Entre as propostas está a criação de uma sala temática sobre meio ambiente e turismo, que funcionará como apoio à trilha do Morro do Vigia — considerada a mais visitada da Costa do Sol —, com central de atendimento ao turista e oferta de capacitações.

O projeto inclui ainda a implementação do Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), com ações para restabelecer o equilíbrio ambiental, proteger recursos hídricos e promover a revegetação com espécies nativas. A fachada e as características originais do imóvel, tombado por decretos municipal e estadual, serão preservadas.

Parte do espaço será destinada ao arquivo pessoal de Jamil dos Anjos. Também está prevista a exposição de réplicas de traineiras e barcos pesqueiros típicos da região, no salão onde funcionava o antigo restaurante, incluindo o barco utilizado pelo pescador. O deck será mantido para a realização de eventos, como casamentos, feiras de artesanato e oficinas.

“A audiência foi muito produtiva para a cidade. A juíza foi objetiva, solicitou um plano emergencial de restauro e estabeleceu prazo para que a SPU e a Prefeitura acertem a mudança de gestão do espaço. Foi uma vitória de todos que lutaram pela preservação da cabana”, afirmou Marta Rocha, representante dos Amigos do Peró e da Associação Comercial e Turística do Peró (Acetur).

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